A governança corporativa é uma pauta que atinge tanto grandes empresas de capital aberto quanto negócios familiares. No Brasil, 90% das empresas têm perfil familiar, mas apenas uma parcela entre 3% e 4% sobrevive à terceira geração, segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). O dado reforça como a continuidade dos negócios depende cada vez menos da transmissão natural de comando e cada vez mais de planejamento, profissionalização e estruturas claras de gestão.
No Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), esse debate ganha relevância especial. Grande parte das transportadoras brasileiras nasceu de trajetórias familiares, construídas a partir da experiência prática, da relação direta com clientes, da confiança dos motoristas e de uma cultura operacional formada ao longo de décadas. Em um mercado mais tecnológico, regulado e orientado por eficiência, o desafio é preservar esse legado sem abrir mão da modernização.
Fundada em 1998, a West Cargo é um exemplo desse movimento. Com sede em Guarulhos (SP), a empresa atua há mais de 28 anos em operações logísticas voltadas ao comércio exterior, atendendo companhias aéreas, agentes de carga, importadores, exportadores e indústrias e, ao longo dos últimos anos, vem intensificando a governança corporativa como elo central do seu modelo de negócio.
Para Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, a governança passou a ser fundamental para garantir a continuidade das empresas de transporte em um momento de transformação acelerada do setor. “A maioria das transportadoras no Brasil tem origem familiar. Muitas chegam a um ponto em que precisam decidir como continuar crescendo, seja com sucessores preparados, seja com uma gestão mais profissionalizada. A governança ajuda a organizar esse processo, porque dá clareza sobre responsabilidades, fortalece a confiança interna e cria uma orientação de crescimento para todos”, afirma.
Na visão do executivo, governança não se resume à sucessão familiar. O conceito envolve relações mais estruturadas entre lideranças, colaboradores, processos e objetivos de longo prazo. “A liderança tem uma responsabilidade muito grande porque suas decisões impactam diretamente todas as famílias que fazem parte da comunidade da empresa. Quando existe uma orientação clara de crescimento, os colaboradores enxergam mais estabilidade, entendem os valores da companhia e confiam mais no caminho que está sendo construído”, explica Rosolen.
Nos últimos anos, a West Cargo ampliou investimentos em tecnologia, inovação, ESG e profissionalização da gestão. A empresa destinou R$ 34 milhões em 2026 para renovação e ampliação da frota, incluindo veículos de última geração, modelos movidos a gás natural e elétricos, tecnologia embarcada, infraestrutura e sistemas de gestão logística. A companhia também avançou na digitalização de processos operacionais, como checklists, formulários de manutenção, abastecimento e controle de acesso, reduzindo em cerca de 95% o volume de impressões em papel.
Segundo Rosolen, essas iniciativas fazem parte de uma visão de governança voltada à longevidade do negócio. “A sustentabilidade também está ligada à capacidade da empresa de manter suas operações de forma rentável e próspera. Os investimentos em tecnologia, inovação, ESG e profissionalização da liderança fazem parte de um plano para manter a West Cargo à frente do mercado, crescendo de forma alinhada aos valores da companhia e à prosperidade de todas as partes envolvidas”, destaca.
A sucessão, nesse contexto, passa a ser uma consequência de um processo mais amplo de preparação. Para o diretor, empresas que deixam a transição de liderança para o último momento aumentam os riscos de ruptura, perda de cultura e instabilidade operacional. “A preparação precisa acontecer com antecedência. Ao longo do tempo, uma empresa passa por crises, fases de crescimento e mudanças de mercado. Quando os sucessores participam desse processo, acumulam experiência para tomar decisões estratégicas e contribuir para a continuidade do negócio”, finaliza Luigi.
